O problema é a página em branco, não a falta de experiência. Quem terminou a escola ou a universidade fez coisas que merecem estar num currículo; só nunca lhe pediram que as descrevesse como um currículo as descreve. Por isso perguntamos.
O que estudou
O seu curso ou a sua qualificação, a instituição, os anos. Se está terminado, a classificação — se a classificação for boa. Se não está, a data prevista de conclusão. É esta a entrada completa e, num primeiro currículo, vai no topo, porque é a maior coisa que fez.
Acrescente uma linha de detalhe apenas se for concreta: o tema do projeto final, uma unidade curricular em que se destacou, um projeto com um resultado real. “Unidades curriculares incluíram estatística e metodologia de investigação” não é um detalhe. “Projeto final sobre qualidade do ar urbano a partir de 3000 leituras de sensores, com classificação de 16 valores” é.
Um projeto
Não três. Um, descrito como deve ser: o que era, o que fez e o que saiu de lá. O projeto é o lugar onde um primeiro currículo mostra aquilo de que um trabalho precisa — terminar algo, trabalhar com dados, trabalhar com pessoas — sem que tenha sido preciso um trabalho para o mostrar.
Os projetos das aulas contam. Conta também tudo o que construiu ou organizou fora delas, se ficou terminado.
Um trabalho, qualquer um
O café, a loja, o verão num armazém. Quem lê currículos de recém-licenciados não procura aqui ligação à área; procura a prova de que apareceu, de que confiaram em si e de que foi ficando melhor. Por isso escreva-o assim:
A pedir desculpa
Barista — trabalho de fim de semana para financiar os estudos.
Com provas
Barista (fins de semana) — mais de 200 clientes por turno numa equipa de dois; responsável pela abertura e pelo fecho de caixa a partir do terceiro mês.
Se de facto nunca foi pago por nada, use a coisa mais próxima: um cargo numa associação, um voluntariado, uma responsabilidade habitual em casa ou no negócio da família. Descreva-a da mesma maneira.
Duas coisas em que é bom
Duas, e verificáveis. Uma ferramenta, uma língua, um método que tenha usado de facto: R, Excel, QGIS, “escrever explicações claras”. Não “capacidade de comunicação” — isso não se verifica a partir de uma lista, e todos o escrevem. Os pontos sob o projeto e sob o trabalho são o lugar onde as competências pessoais se mostram.
O que procura
Uma frase, no topo, para que quem lê saiba o que fazer consigo: “Procuro um primeiro lugar como analista em sustentabilidade ou consultoria ambiental.” É isso que transforma um currículo numa candidatura.
O que não fazer
Não invente um estágio. Não enumere todas as unidades curriculares. Não escreva “apaixonado” — nunca ninguém foi contratado por ser apaixonado num currículo. Não passe de uma página. E não envie o mesmo primeiro currículo para todos os anúncios; depois de existir, adaptá-lo a cada vaga é a competência seguinte a aprender, e a que traz respostas.